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Profissional do Campo

12/07/2013

Da família com forte tradição agrícola na região da Zona da Mata do Estado de Pernambuco, o zootecnista Luiz Cláudio de Souza Paranhos Ferreira, herdou a paixão pelas atividades no campo. O bom trabalho desenvolvido com a produção da cana-de-açúcar fizeram com que posteriormente os Paranhos Ferreira se dedicassem a criação e seleção de nelore. Cau, como é conhecido entre os colegas pecuaristas, é daqueles zebuzeiros que mantém o trabalho familiar, com o diferencial de quem acredita que o profissionalismo é a palavra-chave para o sucesso de qualquer negócio. Casado com a também zootecnista Renata Martins de Camargos Paranhos Ferreira, Luiz Cláudio dedica-se ao melhoramento técnico do zebu sendo diretor Conselheiro da Associação dos Criadores do Oeste da Bahia (ACRIOESTE), membro do Conselho Técnico da Raça Nelore na ABCZ e membro do Conselho Diretor do Instituto de Estudos Avançados em Veterinária, José Caetano Borges. Responsável pela diretoria de Parque, Centro de Eventos, Tatersal e Univerdecidade, juntamente com o diretor Aloísio Garcia Borges, Cau comprova na ABCZ a eficiência que caracteriza as propriedades Japaranduba, Vale do Rio Grande, Campo Verde (Bahia) e Japaranduba de Minas (Minas Gerais). Nessa entrevista, ele garante que além de novas obras no Parque Fernando Costa, outros grandes projetos deverão ser colocados em prática pela diretoria nos próximos dois anos.


Revista ABCZ: A sua família tem grande ligação com o agronegócio, tendo iniciado as atividades no beneficiamento da cana-de-açúcar em Pernambuco. Comente sobre o início desse trabalho.
Luiz Claudio de Souza Paranhos Ferreira: Por muito tempo o plantio de cana-de-açúcar na zona da mata de Pernambuco foi um dos grandes negócios agrícola do Nordeste. Nossa família sempre possuiu propriedades nesta região, e por tradição e vocação há várias gerações trabalha com o agronegócio. Mas já na geração do meu pai os negócios com a pecuária tomaram o lugar dos negócios com a cana-de-açúcar. O gosto pela pecuária, pela seleção genética, pela lida com os animais prevalece até hoje.

ABCZ: E o trabalho ligado à pecuária quando começou?
LCSPF: O foco na pecuária se deu com a aquisição de terras no oeste da Bahia, região de grande potencial pecuário, com terras de alta fertilidade, clima quente, e localização estratégica. Um projeto que começou no início dos anos 70, primeiramente com a pecuária de corte, e em seqüência também com a pecuária seletiva. Desde seu princípio o trabalho com a pecuária tenta estabelecer parâmetros de qualidade sempre em busca de melhoramento genético, sempre em busca de selecionar os animais mais produtivos, sempre em busca de aumento de produtividade.

ABCZ: O seu pai, o pecuarista Fernando Paranhos, sempre foi considerado um grande líder da pecuária nacional. O senhor sofreu alguma influência dele na escolha para lidar com o zebu? Quando o senhor resolveu se dedicar à pecuária?
LCSPF: Sem dúvida, houve uma grande influência positiva neste sentido, mas não só do meu pai Fernando Paranhos, e sim de toda a família: minha mãe Anna Margarida e meus irmãos Pedro e Fernando Filho, estávamos todos sempre juntos. Uma vez que o foco dos negócios era a fazenda, na-turalmente nós participávamos de cada etapa da construção deste projeto. Primeiro na infância como uma grande diversão. A fazenda sempre foi o local preferido, as melhores férias. Depois veio a curiosidade e com ela o aprendizado do dia a dia, da prática e também da teoria. Neste ponto, admirar de perto e aprender com um grande líder da pecuária nacional, foi um privilégio. Entre os negócios da fazenda tenho um carinho especial com a seleção do nelore, uma atividade que permite estar em exposições e leilões, comparar e avaliar sempre nosso trabalho. A decisão de trabalhar com pecuária veio cedo, nunca tive dúvidas de que faculdade fazer. Comecei o curso de Zootecnia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e, após comprarmos uma propriedade em Uberaba, transferi meu curso para a FAZU onde me formei em 1991. Com a chegada em Uberaba, em 1989, despertei de vez para o zebu, acompanhando de perto os trabalhos com o gado de elite.

ABCZ: Porque fizeram a opção pelo nelore mocho?
LCSPF: A opção pela atividade seletiva veio da necessidade de formar um plantel de animais puros para atender a nossa demanda de reprodutores para o rebanho comercial. A produção de bezerros de corte era nosso principal negócio. Entendo que o nelore era, e continua sendo, a melhor opção para se adaptar às nossas condições de clima quente e de pastagens extensivas do Brasil Central. Aos poucos uma atividade que era secundária virou a preferida. Trabalhar com seleção é simplesmente apaixonante e as atenções para os animais de elite cresceram. É importante frisar que consideramos a raça nelore como única, não fazemos diferenciação entre mocho e padrão. No entanto, o que observamos com freqüência é que, ao oferecer ao mercado be-zerros de corte para recria ? separados em lotes de bezerros nelore mocho e lotes de bezerros nelore de chifre, animais todos de alta qualidade, parelhos ? há uma ligeira preferência pelos bezerros mochos. Observamos também que na comercialização do touro nelore PO de campo, aquele segmento que realmente sustenta o volume de receitas da fazenda na pecuária seletiva, também há uma maior facilidade nas vendas dos mochos. Saem primeiro e com preços melhores. Além disso, o nelore mocho nos permite trabalhar com uma variabilidade genética maior que o nelore padrão, uma vez que utilizamos os melhores reprodutores nelore e/ou nelore mocho em nosso rebanho sem discriminações.

ABCZ: O senhor tem interesse em investir em outras raças?
LCSPF: Estamos engatinhando na criação do Brahman. É uma raça importante, que traz características desejáveis e que são selecionadas há muito tempo em outros países. Não podemos deixar de admirar a qualidade de carcaça, principalmente de musculatura nas regiões de carne nobre. Não podemos deixar de reconhecer os trabalhos para selecionar linhagens de melhor temperamento. O brahman é um animal calmo por natureza. Mas também não podemos deixar de admitir que a raça precisa de um trabalho sério e criterioso de seleção para melhor se adaptar às condições do Brasil. Aqui não podemos admitir animais com umbigo penduloso, animais com aprumos comprometidos ou li-nhagens que produzam bezerros exageradamente grandes ao parto. São características que a raça trouxe de alguns dos seus plantéis de formação, e que nas nossas condições de criação extensiva considero limitantes. Acho muito importante a conscientização dos criadores neste sentido assim como acredito que brevemente resolveremos estes problemas. Como sempre dizia meu sogro, Dr. Rômulo Kardec de Camargos: ?em pouco tempo o Brasil terá o melhor brahman do mundo?. Não há trabalho de pecuária mais competente que o nosso. É este desafio que muito me estimula a investir nesta raça.

ABCZ: A sua família decidiu investir no Estado da Bahia. Como está a criação e seleção de zebu nesse estado?
LCSPF: A Bahia tem uma grande tradição na criação e seleção do zebu. Linhagens baianas são muito va-lorizadas nos grandes leilões do país. No ano que vem haverá uma grande festa comemorando os 100 anos da primeira importação de nelore que chegou às terras baianas. Hoje temos grandes criatórios no estado, tanto em volume de animais quanto em qua-lidade, criatórios com expressão nacional. A Bahia tem também uma das regiões mais promissoras do Brasil, uma grande fronteira agrícola e pecuária, o Oeste. Região que vem acumulando recordes em taxas de crescimento ao longo dos últimos 10 anos.

ABCZ: Os trabalhos da Japaranduba se estenderam também para a região de Uberaba. Qual as vantagens de estar próximo à capital do zebu?
LCSPF: Uberaba é reconhecida como a capital do zebu não é a toa. Aqui respiramos zebu. Temos três das maiores centrais de coleta de sêmen, o que nos coloca ao lado dos grandes reprodutores das raças zebuínas. Temos outras tantas centrais de coleta de embriões e suas doadoras maravilhosas. Temos uma importante escola de zootecnia, a FAZU, que considero a melhor escola do Brasil para quem quer trabalhar com pecuária de corte, e mais especificamente com pecuária zebuína seletiva. Temos acesso a várias fazendas que são verdadeiras vitrines de grandes trabalhos de seleção. Temos a ABCZ, maior organização pecuária do mundo. Enfim, há uma grande possibilidade de troca de informações, aprendizado, intercâmbio.

ABCZ: Com propriedades em regiões tão diferentes, como é feita a organização das atividades e o planejamento das fazendas?
LCSPF: Procuramos tocar as fazendas como empresas. Reuniões periódicas para o planejamento de ações e análises de resultados nos ajudam bastante. Naquilo que é possível dividimos as responsabilidades, eu, meu Pai e meu irmão Fernando Filho, que é veterinário. Procuramos também assessoria de profissionais gabaritados para todas as áreas que consideramos importantes. Especificamente na área de planejamento reprodutivo contamos com o auxílio de um dos grandes profissionais do País, Dr. Fernando Andrade. Há mais de 10 anos, ele nos orienta nas fazendas da Bahia e também aqui em Uberaba. Na área agrícola temos parcerias com tradicionais agricultores da região no plantio de algodão, sorgo e milho. Na área comercial planejamos juntamente com empresas leiloeiras parceiras, eventos para comercialização da produção. Hoje temos um dos maiores leilões de produção do Estado da Bahia, e também um dos mais tradicionais leilões de elite da raça nelore mocho em Uberaba. Uma preocupação constante é formar equipe, fundamental em qualquer atividade.

ABCZ: Muitos profissionais de áreas que não são li-gadas à pecuária têm começado a investir no zebu. Quais as dicas que você daria a esses criadores que não têm tradição nesse tipo de negócio?
LCSPF: Como qualquer outro negócio a pecuária seletiva para ter sucesso tem que ser encarada com muito profissionalismo. As manchetes de recordes de preços, ou de grandes campeonatos, não retratam com precisão todo o trabalho que existe por trás deles. Não tem mágica, tem que ter competência, profissio-nalismo e dedicação. Aqueles que entram no negócio deslumbrados apenas com o lado social tendem a não obter sucesso. Por outro lado o mercado absorve bem todo e qualquer novo trabalho de seleção, desde que seja feito com seriedade. Se for entrar, entre bem assessorado, com bons profissionais, com um bom planejamento, com uma administração empresarial.

ABCZ: O plantel da Japaranduba conta com grande nível de animais melhoradores. Foram pioneiros em técnicas como inseminação artificial, transferência de embriões e na criação e seleção de animais nelore mocho. Quais os cuidados são tomados durante o trabalho de seleção do plantel da Japaranduba?
LCSPF: O primeiro cuidado é o direcionamento da seleção. E este direcionamento é balizado em uma busca constante visando melhorar três pontos básicos: fertilidade, velocidade em ganho de peso e qualidade de carcaça. Tudo isso sem esquecer das características raciais, beleza é fundamental. Qualquer trabalho de seleção tem que começar com a adoção de uma bem estudada estação de monta. Sem grupos contemporâneos não há como fazer seleção. Isso às vezes atrapalha um pouco quem orienta sua criação em função de exposições e precisa ter animais de diversas idades para poder competir em diversas categorias.Acho que as exposições são importantes parâmetros para avaliarmos sempre nossos trabalhos, mas não podem ser determinantes nos processos de seleção. Participamos também de programas de avaliação genética, como o PMGZ da ABCZ, e o PMGRN da USP, que nos dão subsídios para tomadas de decisões no processo de seleção. Utilizamos sempre reprodutores provados e avaliados geneticamente.

ABCZ: A pecuária seletiva alcançou um excelente nível de qualidade no Brasil. Por outro lado, a pecuária de corte enfrenta uma grande crise. Como o pecuarista deve encarar esse paradoxo?
LCSPF: Considero que são atividades distintas. Na pecuária seletiva buscamos indivíduos superiores, capazes de acrescentar valor genético ao rebanho, capazes de contribuir para melhorar desempenhos. Estes indivíduos são capazes de viabilizar as outras atividades, uma vez que contribuem para acelerar processos reduzindo custos, aumentando perfor-mances, agregando valor. Por isso que o alto nível de qualidade da pecuária seletiva é tão bem remunerado. Com relação ao momento vivido pela pecuária de corte, é importante saber que durante as grandes crises é que aparecem as grandes oportunidades. Sem dúvida que o momento é crítico, difícil mesmo, e só vai continuar na atividade aqueles que enxugarem seus custos e aumentarem sua eficiência, gerenciando sempre com profissionalismo.

ABCZ: O primeiro ano de gestão da Diretoria comandada pelo presidente Orestinho foi marcado por muitas obras no Parque Fernando Costa. Como diretor de Parque da ABCZ, o senhor acredita que essas mudanças foram bem recebidas pelos associados e visitantes?
LCSPF: Tenho certeza que sim. Foram investimentos visando melhor adequar o parque Fernando Costa à nova realidade do nosso segmento. O parque já não comportava a quantidade de gado que vinha para as exposições, principalmente a ExpoZebu, maior exposição de zebuínos do mundo. Tínhamos capacidade para atender em torno de 1.500 animais em argolas, mas as inscrições nos últimos anos sempre foram em números maiores, sempre mais que 2.000 cabeças. Depois de uma bem sucedida parceria com vários criadores e empresas do agronegócio que patrocinaram as obras, e com grande competência o presidente Orestinho conseguiu viabilizar a cons-trução de novos pavilhões, o que aumentou a capacidade para cerca de 3.000 animais entre argolas e currais para leilão. Vale aqui destacar o trabalho de toda a Diretoria que muito se empenhou para esta realização, e em especial do nosso outro diretor de Parque Aloísio Borges, sempre dedicado e disponível a todos os assuntos do parque. Além dos pavilhões outras obras merecem destaque: um novo refeitório para os funcionários, o recapeamento geral das vias asfaltadas dentro do parque, os novos embarcadouros para facilitar saída de gado das exposições, a reforma com colocação dos cochos de água para o gado nos pavilhões antigos e a cons-trução do pavilhão internacional, entre outras.

ABCZ: A Diretoria já tem em vista as próximas novidades nessa área, tanto para o parque, como o para Tatersal, Centro de Eventos e a área destinada a pesquisas na Univerdecidade?
LCSPF: Temos alguns projetos em estudo sempre orientados pelo Carlos Fernando Pontual, que além de um excelente arquiteto é um grande criador de gado nelore mocho e guzerá, e um grande parceiro desta Diretoria. São projetos para o palanque oficial e arquibancada, para área dos currais antigos do Tatersal, para área dos pavilhões provisórios (criação de um pavilhão multiuso), e mais algumas surpresas que ao longo destes próximos dois anos a Diretoria deverá por em prática.


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